TENDÊNCIAS TEMPORAIS DOS ACIDENTES COM MATERIAL BIOLÓGICO NO BRASIL (2015-2024): ESTUDO DE SÉRIE TEMPORAL
DOI:
https://doi.org/10.59370/rbcm.520Palavras-chave:
Material Biológico, Acidentes de trabalho, Risco Ocupacional, Vigilância epidemiológica, COVID-19Resumo
Contexto: Acidentes com material biológico representam risco ocupacional relevante em diferentes serviços de saúde, envolvendo exposição a fluidos potencialmente contaminados e risco de transmissão de HIV e hepatites. No Brasil, são de notificação compulsória e séries históricas permitem avaliar padrões regionais, fragilidades e impactos da pandemia Objetivo: Analisar a incidência e as tendências temporais das notificações de acidentes com material biológico no Brasil entre 2015 e 2024, comparando períodos pré, durante e pós-pandemia de COVID-19 Método: Estudo de série temporal baseado em notificações nacionais de acidentes com material biológico entre 2015 e 2024. Calcularam-se incidências acumuladas (casos/100 mil habitantes) utilizando as populações estaduais do Censo Demográfico 2022 (IBGE). Para a análise de tendências, aplicou-se regressão linear simples, estimando o coeficiente de inclinação (casos/ano) por Unidade da Federação (UF). Foram comparados os períodos de 2015-2019 e 2020-2024 Resultados: No período, foram notificados 664.256 acidentes. Os maiores números absolutos ocorreram em São Paulo (166.409), Minas Gerais (98.361) e Rio de Janeiro (42.761). As maiores incidências proporcionais foram observadas em Minas Gerais (474,4/100 mil hab.), Santa Catarina (472,8/100 mil hab.) e Paraná (450,8/100 mil hab.), enquanto os menores valores ocorreram no Pará (144,4/100 mil hab.) e Maranhão (156,2/100 mil hab.). Houve crescimento médio anual expressivo no Ceará (+88 casos/ano) e Pará (+85 casos/ano), embora sem significância estatística. Em contrapartida, Amazonas (-29 casos/ano; p?0,08) apresentou tendência de queda. Durante a pandemia, estados como Rio Grande do Norte, Alagoas e Paraná mantiveram tendências semelhantes ao pré-pandemia, sugerindo menor impacto nas notificações, enquanto São Paulo e Rio de Janeiro apresentaram rupturas marcantes na série Conclusão: Os resultados evidenciam heterogeneidade regional, com estados do Sul e Sudeste exibindo maiores taxas de incidência. O Amazonas apresentou queda consistente. A pandemia de COVID-19 afetou de forma desigual as tendências, reforçando a importância de análises regionais para orientar estratégias de prevenção e vigilância
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