PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DO CÂNCER OCUPACIONAL NO BRASIL ENTRE 2015-2024: ESTUDO DE CORTE TRANSVERSAL
DOI:
https://doi.org/10.59370/rbcm.510Palavras-chave:
Neoplasias Ocupacionais, Saúde do Trabalhador, Vigilância EpidemiológicaResumo
Contexto: O câncer relacionado ao trabalho constitui importante problema de saúdepública, estimando-se que 5% a 10% dos casos tenham origem ocupacional, o quecorresponde a cerca de 880 mil mortes anuais no mundo. No Brasil, o Instituto Nacionalde Câncer (INCA) projeta 625 mil novos diagnósticos anuais, mas a fração ocupacionalsegue invisível nos registros oficiais, refletindo subnotificação e fragilidades da vigilância Objetivo: Analisar o câncer ocupacional no Brasil, com foco na subnotificação, nopanorama epidemiológico e nos desafios da vigilância, a partir dos registros do SINAN(2015–2024), visando subsidiar estratégias de prevenção e fortalecimento do SUS Método: Estudo epidemiológico de corte transversal, com dados secundários e nãoidentificados do SINAN. Incluíram-se notificações de câncer relacionado ao trabalho entreindivíduos de 18 a 75 anos, no período de 2015 a 2024, considerando variáveissociodemográficas, ocupacionais e epidemiológicas. RESULTADOS E DISCUSSÃO.Entre 2015 e 2024, registraram-se 5.342 casos, com marcantes desigualdades regionais.O Paraná apresentou a maior incidência (18,8/100 mil), seguido por Mato Grosso do Sul(15,3/100 mil), enquanto Minas Gerais (5,6/100 mil) e Rio Grande do Norte (5,2/100 mil)ficaram em posição intermediária. Em contraste, São Paulo (0,8/100 mil) e Bahia (0,4/100mil) exibiram baixas taxas, ao lado de Pernambuco (0,02/100 mil) e Maranhão (0,01/100mil), revelando subnotificação. O perfil por sexo mostrou predominância masculina(68,7%), condizente com maior inserção em atividades de risco. A distribuição etáriaconfirmou a longa latência: 1,4% entre 15–29 anos, 62,3% entre 50–69 e 19,7% entre70–79 anos, indicando diagnósticos tardios. Quanto à raça/cor, brancos (72,0%) forammaioria, seguidos por pardos (21,7%) e pretos (5,6%), com indígenas e amarelosresiduais, refletindo desigualdades e falhas nos registros. A escolaridade reforçouvulnerabilidade: 65% tinham fundamental incompleto e apenas 4,0% nível superior,sugerindo associação entre baixa escolaridade, ocupações de risco e barreiras aodiagnóstico precoce. Esses achados convergem com a literatura, que aponta o câncerocupacional como prevenível, mas negligenciado, reforçando a necessidade de integrarvigilância, saúde do trabalhador e redes oncológicas Conclusão: O câncerocupacional no Brasil segue subestimado e subnotificado, limitando a prevenção e ocontrole
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