PERFIL DAS NOTIFICAÇÕES DE VIOLÊNCIA NO BRASIL E NO DISTRITO FEDERAL (2015–2024): ESTUDO TRANSVERSAL DESCRITIVO
DOI:
https://doi.org/10.59370/rbcm.506Palavras-chave:
Violência, Vigilância Epidemiológica, Pandemia de COVID-19Resumo
Contexto: A violência é um importante problema de saúde pública no Brasil, impactando morbimortalidade e demandando ações intersetoriais. O Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) registra casos de violência interpessoal e autoprovocada, permitindo analisar tendências temporais e regionais. A pandemia de COVID-19 (2020–2022) alterou o padrão de notificações, seja por mudanças no acesso aos serviços, seja pelo aumento de vulnerabilidades sociais Objetivo: Descrever o perfil e a evolução das notificações de violência no Brasil e no Distrito Federal entre 2015 e 2024, com ênfase nos efeitos da pandemia Método: Estudo transversal descritivo baseado em dados secundários do SINAN (2015–2024). Foram incluídas notificações de violências em todo o território nacional e especificamente no Distrito Federal (DF). Analisaram-se frequências anuais absolutas e tendências temporais, comparando o período pré-pandemia (2015–2019), pandêmico (2020–2022) e pós-pandemia (2023–2024) Resultados: No Brasil, registraram-se 3.916.151 notificações no período. Observou-se crescimento progressivo entre 2015 (227.901) e 2019 (405.497), queda expressiva em 2020 (326.503) e novo aumento em 2021 (373.262), seguido de forte ascensão em 2023 (630.604), o maior valor da série. Essa variação sugere impacto da pandemia na subnotificação, possivelmente por restrição de acesso aos serviços e priorização da COVID-19. O Distrito Federal notificou 65.039 casos (1,7% do total nacional). A série mostrou aumento consistente: de 1.936 notificações em 2015 para 12.288 em 2023, com discreta redução em 2024 (11.748). O padrão do DF acompanhou a tendência nacional, com queda em 2020–2021 e recuperação acelerada após 2022 Conclusão: As notificações de violência cresceram no Brasil e no DF de 2015 a 2024, mas apresentaram queda durante a pandemia, provavelmente relacionada à dificuldade de acesso aos serviços e ao isolamento social. O aumento após 2022 reforça a importância da vigilância e da manutenção dos serviços de notificação, mesmo em contextos de crise sanitária. O estudo destaca a violência como prioridade permanente na agenda da saúde pública
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