LUTO E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: O CUIDADO PSICOLÓGICO E MÉDICO NA ERA DIGITAL – UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
DOI:
https://doi.org/10.59370/rbcm.493Palavras-chave:
Luto, Inteligência Artificial, Saúde Mental, Griefbots, Revisão SistemáticaResumo
Contexto: O luto impacta o indivíduo em suas dimensões emocionais, cognitivas, físicas, sociais e espirituais. Avanços recentes da inteligência artificial (IA) têm ampliado possibilidades de diagnóstico e monitoramento em saúde mental. Entretanto, sua aplicação ao luto levanta questões sobre eficácia clínica, humanização e ética do cuidado Objetivo: Identificar os avanços, limitações e desafios éticos do uso da IA no apoio psicológico e médico a pessoas enlutadas Método: Revisão sistemática conforme PRISMA 2020. Foram pesquisadas as bases PubMed, Embase, Scopus e Lilacs entre janeiro/2013 e fevereiro/2025, utilizando descritores como Grief, Bereavement, Mourning, Prolonged Grief Disorder, Artificial Intelligence, Machine Learning, Deep Learning, Digital Health, Mental Health. Incluíram-se estudos originais e revisões que aplicaram IA em contextos de luto. Dois revisores independentes realizaram triagem, extração e avaliação metodológica (JBI, Cochrane Risk of Bias, CASP) Resultado: Foram recuperados 432 artigos; após exclusões, 21 foram incluídos. Quatro estudos aplicaram machine learning para triagem e predição de risco de luto prolongado, destacando a ferramenta GIFT e modelos explicáveis (XAI). Dois artigos relataram IA em monitoramento digital, com maior sensibilidade para detectar sofrimento. Seis trabalhos abordaram chatbots e griefbots, indicando potencial de conforto simbólico, mas também riscos de prolongamento do sofrimento e dilemas éticos. Estudos adicionais trouxeram percepções de profissionais de saúde mental, que reconhecem a IA como recurso útil. Além disso, oito ensaios de intervenções digitais sem IA confirmaram eficácia na redução de ansiedade e depressão, funcionando como comparadores Conclusão: A IA mostrou-se promissora no cuidado ao enlutado, sobretudo em estratégias de triagem e monitoramento. Contudo, o campo permanece inicial, marcado por estudos exploratórios e ausência de ensaios clínicos robustos. Os griefbots constituem o eixo mais controverso, exigindo diretrizes éticas claras para que haja a possibilidade de integração entre inovação tecnológica e uma prática clínica responsável; sem substituir a escuta qualificada, a empatia e o acolhimento necessários ao enlutado
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