INTOXICAÇÕES MEDICAMENTOSAS EM PEDIATRIA: PERFIL CLÍNICO- EPIDEMIOLÓGICO, RISCOS E DESFECHOS DE CASOS CRÍTICOS EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA
DOI:
https://doi.org/10.59370/rbcm.490Palavras-chave:
Intoxicação medicamentosa, Pediatria, Unidade de Terapia Intensiva, Epidemiologia clínicaResumo
Introdução: As intoxicações medicamentosas (IM) em crianças e adolescentes representam um grave problema de saúde pública, sendo uma das principais causas de internações pediátricas e encaminhamentos para unidade de terapia intensiva (UTI). Ocorrem quando há administração de fármacos em doses superiores às recomendadas, sendo que, na maioria das vezes, são acidentes decorrentes do fácil acesso a medicamentos de uso rotineiro com potencial elevado de complicações fatais. Logo, é necessária a identificação precoce desses agentes e de demais fatores de risco, visando uma condução adequada do quadro Objetivo: Analisar o perfil clínico- epidemiológico das IM pediátricas, principais fármacos, fatores de risco e desfechos críticos em UTI Método: Revisão bibliográfica baseada na estratégia PVO e na pergunta: “Qual é a realidade das IM pediátricas?”. Devido à escassez de estudos, foram feitas buscas em PubMed, SciELO, Medline e Google Scholar, usando termos MeSH e operadores booleanos. Incluíram-se qualquer tipo de estudo publicados nos últimos 10 anos, em todos os idiomas, excluíndo trabalhos fora da temática ou que não atendiam aos critérios de inclusão Resultados: A análise da literatura evidenciou um perfil clínico-epidemiológico bimodal entre os pacientes, apresentando variações conforme faixa etária, sexo e intencionalidade da exposição. Houve predomínio do sexo feminino e de adolescentes nos episódios intencionais, ligados a tentativas de suicídio, enquanto em pré- escolares predominaram acidentes domésticos por contato com medicamentos de uso rotineiro de familiares. Analgésicos, antidepressivos e opioides foram os fármacos mais envolvidos, com risco de evolução fatal em alguns casos. No Brasil, entre menores de 5 anos, houve predomínio do sexo masculino, 7% necessitaram de UTI e a mortalidade foi de 0,4%, maior nas regiões Norte e Sudeste. A maioria dos casos evoluiu de forma leve ou moderada, mas aproximadamente 10% exigiram ventilação mecânica, principalmente nos episódios intencionais. Apesar da baixa mortalidade global, as desigualdades regionais aumentam a vulnerabilidade pediátrica Conclusão: As IM são um problema clínico-epidemiológico de alto impacto na morbimortalidade pediátrica e no sistema de saúde, evidenciando a necessidade de educação em saúde, prescrição racional, armazenamento seguro de medicamentos e protocolos específicos de prevenção e manejo, além de novos estudos para subsidiar estratégias mais eficazes de manejo e prevenção
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