EPIDEMIOLOGIA E FATORES ASSOCIADOS À LEISHMANIOSE TEGUMENTAR AMERICANA NO DISTRITO FEDERAL (2015–2024): ESTUDO TRANSVERSAL
DOI:
https://doi.org/10.59370/rbcm.466Palavras-chave:
Leishmaniose Tegumentar Americana, Epidemiologia, Fatores AssociadosResumo
Contexto: A Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) é uma zoonose de relevância global e endêmica no Brasil, com impacto clínico e social. No Distrito Federal, a complexidade ecoepidemiológica da transmissão representa desafio à vigilância e justifica análises locais que orientem políticas de controle Objetivo: Analisar o perfil epidemiológico da LTA no Distrito Federal (2015–2024), identificando fatores sociodemográficos e clínicos associados às formas cutânea e mucocutânea para subsidiar ações de vigilância Método: ?Estudo transversal com dados do SINAN (2015–2024). Incluíram-se apenas casos confirmados laboratorialmente, excluindo duplicados e inconsistências. Variável dependente: forma clínica (cutânea ou mucocutânea). Independentes: sexo, idade, raça/cor, escolaridade, coinfecção por HIV e tipo de entrada. Foram realizadas análises descritivas, teste qui-quadrado e cálculo da Razão de Prevalência (RP) com IC95%, adotando p < 0,05. O estudo dispensou ética conforme Resolução CNS 510/2016 Resultado: Foram notificados 391 casos, predominando homens (69,6%) e adultos em idade ativa (68,3%), perfil consistente com a exposição ocupacional em áreas rurais e de lazer. A raça/cor mais frequente foi parda (48,3%). A forma cutânea representou 77,7% dos registros, enquanto a mucocutânea, mais grave, respondeu por 22,3%. Casos novos corresponderam a 89,5% das notificações; coinfecção por HIV foi rara (2%). Observou-se associação significativa entre recidiva e forma mucocutânea: prevalência de 53,8% em recidivas versus 20,0% em casos novos, com RP = 2,69 (IC95% 1,78–4,07; p < 0,001). Isso indica risco quase três vezes maior de desenvolver a forma grave em pacientes com recidiva, reforçando a importância de acompanhamento clínico rigoroso. A elevada proporção de mucocutânea sugere atraso diagnóstico ou falhas no manejo inicial, com impacto potencial em incapacidade física e qualidade de vida. Limitações incluem subnotificação e campos incompletos (30,7% escolaridade), comuns em bases secundárias, mas que não invalidam os achados Conclusão: A LTA no DF acomete majoritariamente homens em idade produtiva, reforçando o caráter ocupacional da doença. O principal achado foi a recidiva como fator fortemente associado à forma mucocutânea, identificando grupo prioritário para monitoramento. As evidências apontam necessidade de estratégias específicas de vigilância, diagnóstico precoce e educação em saúde
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