EPIDEMIOLOGIA DA HEMORRAGIA PÓS PARTO NO BRASIL: ANÁLISE DE DADOS DE 10 ANOS DE MULHERES DE 20 A 39 ANOS
DOI:
https://doi.org/10.59370/rbcm.465Palavras-chave:
Morbimortalidade materna, saúde pública, epidemiologiaResumo
Contexto: A hemorragia pós-parto (HPP) é uma das principais emergências obstétricas e maiores causas de morbimortalidade materna, responsável por cerca de 25% das mortes. Definida como perda sanguínea superior a 500 mL após parto vaginal ou 1000 mL após cesariana, constitui grave problema de saúde pública, sobretudo em países em desenvolvimento. No Brasil, apesar da ampliação do pré-natal e dos avanços na atenção obstétrica, a HPP segue entre as principais causas de internação hospitalar de mulheres em idade reprodutiva, com impacto clínico, social e econômico Objetivo: Analisar a evolução das internações hospitalares por HPP em mulheres de 20 a 39 anos no Brasil entre 2014 e 2024, identificando tendências temporais e regionais Método: Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo, baseado em dados secundários extraídos do DATASUS, especificamente na seção de Morbidade Hospitalar do SUS por Local de Atendimento. Foram aplicados filtros para selecionar casos de internações por HPP registradas no período de 2014 a 2024 em mulheres de 20 a 39 anos. Os dados foram organizados por ano e região, sendo analisadas variações absolutas, percentuais e tendências no período Resultados: Entre 2014 e 2024, registraram-se 20.909 internações por HPP no Brasil. O menor número ocorreu em 2015 (1.514 casos; 7,2% do total) e o maior em 2024 (2.301 casos; 11,0%), configurando aumento acumulado de 46,3%. Entre 2018 e 2019 houve o maior crescimento (14,9%), enquanto em 2020 verificou-se queda de 5,4%, seguida por estabilidade até 2022 e novo aumento em 2024. Regionalmente, o Sudeste concentrou os maiores números absolutos, variando de 610 casos em 2015 para 956 em 2024 (+55,2%). O Nordeste apresentou oscilações, mas atingiu 683 casos em 2024 (+15% vs. 2023). O Sul manteve estabilidade, com crescimento de 1,05%. Já o Centro-Oeste e o Norte, embora com menores valores, tiveram os maiores aumentos proporcionais (134% e 46,6%) Conclusão: A tendência crescente das internações por HPP no Brasil, associada às disparidades regionais, confirma que este agravo permanece um desafio para a saúde materna. O aumento de 46,3% em dez anos reforça a necessidade de fortalecimento da assistência pré-natal, capacitação de equipes multiprofissionais e ampliação do acesso a maternidades de referência. Estratégias adaptadas às especificidades locais e políticas públicas integradas são essenciais para reduzir desigualdades e mitigar os impactos da HPP
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