DPOC OCUPACIONAL EM TRABALHADORES BRASILEIROS: ANÁLISE TRANSVERSAL DE NOTIFICAÇÕES DO SINAN
DOI:
https://doi.org/10.59370/rbcm.462Palavras-chave:
DPOC ocupacional, Saúde do trabalhador, Vigilância epidemiológicaResumo
Contexto: A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é a terceira causa de morte no mundo e gera alto impacto socioeconômico. A exposição ocupacional a poeiras, vapores, gases e fumos (VDGF) é fator de risco relevante e ainda subestimado, exigindo análises para subsidiar políticas de vigilância Objetivo: Analisar a prevalência e os fatores sociodemográficos e ocupacionais associados aos casos de DPOC relacionada ao trabalho notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) no Brasil Método: Estudo transversal com dados secundários de casos de DPOC relacionada ao trabalho registrados no SINAN entre 2015 e 2024. A variável dependente foi o diagnóstico de DPOC. As variáveis independentes incluíram sexo, faixa etária, região de residência e ramo de atividade econômica. Foram realizadas análises descritivas e cálculo de Razão de Prevalência (RP) com Intervalo de Confiança de 95% (IC95%), utilizando o software RStudio Resultado: Identificou-se maior prevalência de notificações em homens (72%), sobretudo entre 50 e 69 anos, concentradas nas regiões Sudeste e Sul, áreas com maior concentração industrial. Trabalhadores da indústria extrativa e de transformação, expostos a poeiras minerais e químicas, e da agropecuária, expostos a poeiras biológicas, apresentaram maior risco de DPOC (RP = 1,9 e RP = 2,3, respectivamente), em comparação a setores administrativos. Os achados são consistentes com a literatura internacional, que estima a fração atribuível ocupacional em 14%. A interação com o tabagismo pode explicar a gravidade observada nos casos notificados. A principal limitação do estudo é a subnotificação no SINAN, que subestima a real magnitude do problema, refletindo barreiras de acesso ao diagnóstico e registro.Os achados reforçam que a DPOC ocupacional no Brasil apresenta perfil semelhante ao observado em países industrializados, onde a maior prevalência ocorre entre homens de meia-idade e trabalhadores expostos a poeiras minerais, químicas e biológicas. A concentração de casos nas regiões Sudeste e Sul está diretamente relacionada ao peso histórico da industrialização e da agropecuária intensiva nessas áreas, o que amplia a exposição ocupacional a agentes nocivos Conclusão: Apesar das limitações, os dados confirmam a relevância da exposição ocupacional como fator de risco para DPOC no Brasil, especialmente entre trabalhadores da indústria e do setor agropecuário
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