DIFERENÇAS NOS DESFECHOS DE ACIDENTES DE TRABALHO SEGUNDO O SEXO: ANÁLISE DE NOTIFICAÇÕES DO SINAN NO DISTRITO FEDERAL, 2015–2024

Autores

  • Eduardo Augusto Bispo Arruda Nascimento
  • Gabriela Portela Roriz
  • Henrique Macedo Sousa
  • Nayla Cristina Nunes Vieira
  • Stephane Clemente Lemos
  • Wanderson Kleber De Oliveira

DOI:

https://doi.org/10.59370/rbcm.461

Palavras-chave:

Acidentes de trabalho, Saúde do trabalhador, Sexo

Resumo

Contexto: Os acidentes de trabalho graves configuram um relevante problema de saúde pública global, com forte impacto social e econômico. No Brasil, apesar dos avanços na legislação trabalhista e da consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS), persiste elevada ocorrência em setores vulneráveis, como construção civil, indústria extrativa e coleta de resíduos Objetivo: Comparar desfechos entre homens e mulheres em acidentes de trabalho graves notificados no Distrito Federal entre 2015 e 2024 Método: Estudo transversal com dados do SINAN-DF (2015– 2024). Incluíram-se todos os registros de acidentes graves, excluídos duplicados e inconsistentes. Variáveis analisadas: sexo, faixa etária, circunstância e evolução dos casos Resultado: No período, foram notificados 27.809 acidentes graves, dos quais 78,9% em homens. Houve crescimento expressivo das notificações: de 845 em 2015 para 10.027 em 2024, aumento de quase 12 vezes. A aceleração a partir de 2020 pode refletir tanto incremento real da ocorrência quanto melhorias na vigilância. Adultos jovens concentraram os casos: 43,5% entre 20–34 anos e 36,2% entre 35–49 anos, evidenciando maior risco na população economicamente ativa. Acidentes em adolescentes (3,7%) sugerem inserção precoce e vulnerável no mercado, enquanto idosos (1,2%) enfrentam maior fragilidade clínica. Em relação aos desfechos, 68,3% evoluíram para incapacidade temporária, 29,2% para cura, enquanto sequelas permanentes foram menos frequentes (1,4% incapacidade parcial, 0,2% incapacidade total). Houve ainda 153 óbitos (1,0%), com predominância masculina em todas as categorias. O padrão encontrado reforça desigualdades de gênero, com maior frequência e gravidade nos homens, mas também indica que mulheres, embora menos atingidas em número absoluto, enfrentam impacto relevante, especialmente em incapacidade temporária. Tais achados dialogam com a literatura internacional, que aponta maior risco em atividades de alta exposição física, como eletricidade, construção e transporte, setores com maior predominância masculina Conclusão: Os acidentes de trabalho graves no DF afetam majoritariamente homens em idade produtiva, gerando incapacidade temporária e, em menor proporção, sequelas permanentes e óbitos. Os resultados destacam a necessidade de políticas de prevenção e vigilância ocupacional sensíveis às diferenças de sexo e direcionadas à proteção dos trabalhadores mais expostos, visando reduzir o impacto social e econômico desses agravos

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Publicado

28-08-2026

Como Citar

Nascimento, E. A. B. A., Roriz, G. P., Sousa, H. M., Vieira, N. C. N., Lemos, S. C., & Oliveira, W. K. D. (2026). DIFERENÇAS NOS DESFECHOS DE ACIDENTES DE TRABALHO SEGUNDO O SEXO: ANÁLISE DE NOTIFICAÇÕES DO SINAN NO DISTRITO FEDERAL, 2015–2024. REVISTA BRASILEIRA DE CIÊNCIAS MÉDICAS, 2(S1), 32. https://doi.org/10.59370/rbcm.461