DETERMINANTES DO AUMENTO DA INCIDÊNCIA DE DIABETES TIPO 1 NAS ÚLTIMAS DÉCADAS
DOI:
https://doi.org/10.59370/rbcm.459Palavras-chave:
Diabetes tipo 1, incidência, mudançasResumo
INTRODUÇÃO - O Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1) é uma doença autoimune caracterizada pela destruição das células pancreáticas, resultando em deficiência absoluta de insulina (NORRIS; JOHNSON; STENE, 2020). É um dos principais desafios pediátricos, exigindo manejo rigoroso para prevenir complicações, como cetoacidose diabética (CAD). Nas últimas três décadas, a incidência do DM1 tem aumentado cerca de 3 a 4% ao ano, ritmo não explicado apenas por fatores genéticos, reforçando a influência ambiental (NÓVOA MEDINA, 2018; NORRIS; JOHNSON; STENE, 2020). Entre as hipóteses, destaca-se a “Hipótese do Acelerador”, que propõe associação entre obesidade infantil e diagnóstico precoce de DM1, embora estudos regionais não confirmem essa relação (WASYL-NAWROT et al., 2020). Compreender esses determinantes é essencial para aprimorar estratégias de prevenção e diagnóstico precoce (STAHL-PEHE et al., 2024). OBJETIVO - Analisar criticamente a literatura recente sobre os fatores associados ao aumento da incidência da DM1, com ênfase em aspectos perinatais e maternos(idade materna, obesidade e via de parto) além dos fatores genéticos e ambientais. METODOLOGIA - Revisão na PubMed (descritores: “type 1 diabetes AND incidence AND change”), filtrando 2015-2025; dos estudos obtidos, 6 foram incluídos para abordarem diretamente a incidência da DM1. RESULTADOS - Diferenças entre países geneticamente semelhantes reforçam o papel ambiental. Observou-se a associação entre idade materna avançada, obesidade pré-gestacional e precoce, e cesariana com o maior risco. Durante a pandemia, estudos apontaram maior incidência de DM1. Um estudo realizado na Voivodina mostrou que 2021 apresentou a maior taxa de incidência de DM1 nos últimos cinco anos, além de um aumento expressivo nos casos de cetoacidose diabética (CAD) (VORGUIN et al., 2022). Na Polônia, entretanto, apesar do crescimento na taxa de incidência de DM1 em crianças entre 2006 e 2017, não houve associação com maior índice de massa corporal (IMC-SDS) e diagnóstico precoce, enfraquecendo a chamada “hipótese do acelerador” (JAROSZ-CHOBOT et al., 2017). CONCLUSÃO - Conclui-se que o aumento da incidência do DM1 nas últimas décadas é diversificado, envolvendo fatores genéticos, ambientais, perinatais e maternos. Apesar da proposta da “Hipótese do Acelerador”, os dados permanecem inconclusivos. Esses resultados reforçam a importância de mais estudos e de políticas públicas focadas na prevenção e no diagnóstico precoce da doença.
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